quinta-feira, 3 de setembro de 2009

10 pontos sobre a regulamentação da profissão de analista de sistemas


Na semana passada, dia 19 de Agosto de 2009, recebemos a notícia que a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado aprovou proposta para regulamentar o exercício da profissão de analista de sistemas.

É claro que este é um tema controverso e que, certamente, tem elementos suficientes para que existam várias pessoas a favor assim como várias pessoas contrárias a esta determinação.

Respeito todas as opiniões, mas sinceramente, questiono os seguintes aspectos em relação a esta suposta "regulamentação":

  1. É bom para sociedade? Qual é o benefício que traz para a sociedade para que esta profissão seja regulamentada? O que isto assegura para quem contrata os profissionais, para quem contrata serviços destes profissionais ou para quem contrata empresas onde trabalham estes profissionais? Os serviços serão melhores? Ou de menos "risco"?
  2. É compreensível? Vamos lá e consideremos que seja importante que a profissão seja regulamentada. Qual é esta profissão? Analista de Sistemas? O que é um analista de sistemas hoje? E os DBAs? E os analistas da qualidade? E a gerência de configurações? E o analista de negócios? E o arquiteto de software? Web Designers? Analistas de Suporte? E as profissões que não existem e ainda vão surgir?
  3. Por que excluir? E tem que ser formado em alguns cursos específicos? E quem é analista e é formado em Medicina? E quem é formado em Sistemas de Informação? E os milhares de Engenheiros e Administradores que fazem parte da área de TI? E os cursos que ainda serão criados para as novas demandas que serão criadas?
  4. É útil? Vivemos em um mercado onda faltam profissionais. Qual é o sentido de criar uma reserva de mercado quando faltam profissionais? O que esta medida traz de benefícios? Teremos melhores cursos? Vamos formar mais programadores? Algo vai melhorar?
  5. É bom para os profissionais? O que traz de benefício para os profissionais? Mais oportunidades? Melhores possibilidades na carreira? Melhores salários? Alguém acredita que o mercado vai modificar-se por conta de uma norma?
  6. Algum benchmarking justifica? Alguém olhou para outros países? Alguém acredita que algum país líder mundial em tecnologia, Estados Unidos, Japão ou algum país da Europa, tem um modelo de regulamentação da profissão de analista de sistemas? Algum destes países diz que só deve produzir software quem é "regulamentado"?
  7. É transformador? Alguém acredita que esta mudança colocará nosso país nos "trilhos" do mundo plano e tecnológico de hoje? Aumentará o nosso grau de empreendedorismo? Aumentará a nossa pesquisa em tecnologia? Fará com que um dia daqui do Brasil tenhamos "skypes", "msns", "microsofts", "ibms", ...? Fará com que tenhamos mais empresas? Ou será que esta mudança, ao contrário, é mais um desestímulo às carreiras na área de TI, além de ser mais um desestímulo a quem quer empreender em TI??? Será que não é uma idéia que, ainda que de boa intenção, é antiquada e acanhada, sendo mais uma força para nos colocar na contra-mão do mundo moderno?
  8. É possível? Nossa Constituição diz que devem ser regulamentadas as profissões que tragam risco para a sociedade - como médicos e advogados - não sendo portanto constitucional, a idéia de regulamentar outras profissões, como as diversas profissões ligadas à área de TI.
  9. É justo? Há muitos anos que boa parte da área de TI no Brasil vem sendo desenvolvida e suportada por profissionais de nível médio, profissionais de outros cursos (nomeadamente, Administradores, Matemáticos e Engenheiros), por garotos apaixonados pela área de TI e por profissionais, pesquisadores e empreendedores que, independentemente da sua área de formação, decidiram abraçar esta carreira. Sem estes profissionais, a área de TI no Brasil seria muitíssimo menor do que ela é. É justo dizer que "daqui para a frente tudo vai ser diferente"? Que não precisamos mais de profissionais com estas outras formações?
  10. É viável? E se até hoje o mercado precisou de todos estes profissionais - e ainda assim temos um gap enorme para nos posicionarmos no mercado global - de onde por acaso acredita-se que com menos profissionais "podendo" ser parte do mercado de TI, será mais viável sermos o que queremos (e precisamos) ser?

Reforço que eu sou formado na área de TI, com pós-graduação na área de TI e com Mestrado na área de TI. As preocupações e dúvidas acima não são para mim, mas apenas a minha visão sobre o que constato da nossa área de tecnologia em relação a estas mudanças. Assim, não falo em causa própria, mas sim, falo vendo o contexto. Também convém comentar que sou a FAVOR do estudo formal e de tudo de bom que vem do mesmo, mas não posso compactuar com que apenas quem faz curso superior em TI é bom.

Vale ressaltar que a ASSESPRO, assim como a SBC têm uma posição clara, favorável a que "é livre em todo território nacional o exercício de qualquer atividade econômica, ofício ou profissão relacionada com a informática, independentemente de diploma de curso superior, comprovação de educação formal ou registro em conselhos de profissão". Esta posição foi defendida junto à CCJ, mas ao que parece não obteve eco.

Você sabia que:
  • Niklas Zennström, criador do SKYPE e do KAZAA, é formado em Administração com Mestrado em Física?
  • Bill Gates não tem nível superior, abandonou os cursos de Matemática e Direito no terceiro ano?
  • Steve Jobs não tem nível superior?
  • O senador Expedito Júnior, autor da proposta de regulamentação, foi cassado pelo TSE? Saiba mais aqui.

Há tantas outras coisas para o nosso Senado se preocupar...

*FONTE: Blog do MB

Nenhum comentário:

Postar um comentário